.


1º dia do Fórum de Geoparques Mundiais da Unesco de Língua Portuguesa discute turismo sustentável e as oportunidades da Economia Verde

Evento passa a ser contínuo, com edições a cada dois anos, e o próximo fórum acontece em 2026, no Arouca Geoparque Mundial Unesco, em Portugal

Voltar Página | SETUR 14/07/2024

O primeiro dia do Fórum de Geoparques Mundiais da Unesco de Língua Portuguesa, aberto oficialmente nesta terça-feira (25), em Currais Novos, no Seridó potiguar, foi marcado pelas discussões em torno do desenvolvimento econômico desses territórios e do uso do turismo sustentável. A abertura teve a presença da governadora Fátima Bezerra, do embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, e contou ainda com o anúncio de que o fórum será contínuo, com edições a cada dois anos.

O Teatro Municipal Ubirajara Galvão, no centro de Currais Novos, sede das discussões deste ano, ficou lotado durante a solenidade de abertura, com a participação de especialistas, gestores de geoparques no Brasil e em Portugal. O evento transcorre até esta quarta-feira (26) em Currais Novos, que integra o território do Geoparque Seridó. A cerimônia de abertura contou com a apresentação do tradicional "Coco de Rodado Seridó", da Escola Municipal Trindade Campelo, que destacou a herança cultural da região.

A governadora Fátima Bezerra destacou a importância do evento para o Rio Grande do Norte. Ela comemorou a continuidade do encontro de geoparques de língua portuguesa. A próxima edição, em 2026, acontecerá em Arouca, que representa o Arouca Geoparque Mundial da Unesco.

Ela destacou a importância do evento para o avanço na implementação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos geoparques. "Aqui, temos a oportunidade de trocar ideias através de debates e intercâmbios, promovendo este destino turístico tão importante que é o Geoparque Seridó. Aproveitamos também a experiência e expertise que Portugal já possui nessa área”, pontuou.

A governadora enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável com inclusão social. "Hoje é um marco, pois o Seridó, cravado na região da Caatinga, é a sede do fórum que trata dos geoparques mundiais da Unesco de língua portuguesa", completou.

O embaixador português Luís Faro disse que a importância do fórum, para além de discutir políticas públicas voltadas para geossítios e o turismo sustentável, é o de unir e ampliar a cooperação entre os países lusófonos. "O que estamos vendo aqui é um sinal muito forte da união entre Portugal e Brasil. Não deve ser só Portugal e Brasil a fazer parte desse movimento; temos que atrair países lusófonos, como os da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). É um grande prazer estar aqui hoje. A embaixada portuguesa reconhece a importância deste fórum e, por isso, estou aqui. Há muitos desafios, mas faremos o máximo para fortalecer essa união," afirmou. 

A programação do evento é uma realização do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado do Turismo do Rio Grande do Norte (Setur/RN), em parceria com a Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur/RN) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN), com apoio do Consórcio Público Intermunicipal Geoparque Seridó e de instituições dedicadas ao desenvolvimento sustentável do turismo, principalmente no aspecto ambiental e dos atrativos naturais, incluindo os empreendimentos locais.

O prefeito de Currais Novos, Odon Júnior, destacou a importância do Geoparque Seridó para a economia verde, enfatizando seu potencial para gerar renda e emprego. Ele mencionou que associações de mulheres estão comercializando pratos da gastronomia local para turistas. “Ao promover nosso território, abrangendo os seis municípios, estamos ampliando horizontes e mostrando nossa cultura para o Brasil e o mundo", afirmou o prefeito. “O Geoparque Seridó não é apenas um produto turístico, mas um valor social que transcende sua função inicial”, complementou.

Segundo a secretária de Estado do Turismo, Solange Portela, a realização do 1º Fórum de Geoparques Mundiais da Unesco de Língua Portuguesa representa um avanço significativo na valorização do turismo sustentável, permitindo uma integração entre os principais atores do setor. “Este encontro é uma oportunidade para a troca de experiências e conhecimentos entre os geoparques no Brasil e em Portugal, ocasião em que temas relevantes serão apresentados pelos palestrantes, reforçando nosso compromisso com práticas que respeitam e conservem o meio ambiente nas políticas públicas”, afirmou.

O diretor-presidente da Emprotur, Raoni Fernandes, apontou que as discussões podem servir como alavancas para o turismo sustentável, atraindo visitantes ao mesmo tempo em que protegem os recursos naturais e culturais locais. “O fórum é importante para a ampliação do reconhecimento dos geoparques em países de língua portuguesa, promovendo um modelo de desenvolvimento que harmoniza turismo e conservação ambiental, apresentando projetos bem-sucedidos e explorando oportunidades para cooperação internacional”, destacou.

O coordenador científico do Geoparque Seridó, Marcos Nascimento, enfatizou a presença de representantes internacionais para discutir uma agenda de preservação e conservação de geoparques. "Vamos aproveitar para trocar experiências com os nossos parceiros e favorecer o desenvolvimento do Seridó como parte do Geoparque Mundial da UNESCO. E o mais importante é que, a partir de agora, a cada dois anos, nos reuniremos com os países de língua portuguesa que possuem geoparques", disse.

A abertura do Fórum de Geoparques de Língua Portuguesa contou com a presença de Olga Aguiar, Secretária de Estado das Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos; Daniel Cabral, Secretário de Estado da Comunicação; Ivanilson Maia, Secretário Adjunto do Gabinete Civil; Danielly Rêgo, Secretária de Estado Adjunta do Turismo; Raoni Fernandes, Presidente da EMPROTUR. Também participaram o deputado federal Fernando Mineiro, além dos deputados estaduais Francisco do PT e Luiz Eduardo.  

Também participaram Francisco Lamy, Cônsul Honorário de Portugal em Natal; Francisco Azevedo, Conselheiro da Embaixada de Portugal no Brasil; e Maria Teresa Marques de Carvalho Ferreira, Diretora de Departamento do Turismo Portugal. Estiveram presentes também Miguel Matias Reis Silva, Coordenador Executivo do Geoparque Oeste; Antônia Maria Morais, Coordenadora Executiva do Geopark Terras de Cavaleiros; André Melo Castro, Presidente da Direção do Geoparque Açores; Carlos Miguel Neto de Carvalho, Coordenador Científico do Geopark Naturtejo; Daniela Maria Teixeira da Rocha, Coordenadora Executiva dos Arouca Geoparques; e Dinis Acácio Nobre Duarte, Vogal da Direção do Geoparque Oeste. Representantes de geoparques brasileiros também compareceram, entre eles Thiago da Silva Marinho, Coordenador do Comitê Científico do Geoparque Uberaba (MG); Eduardo da Silva Guimarães, Diretor Executivo do Geopark Araripe (CE); Roberto Biava, Presidente do Geoparque Cânions do Sul (RS-SC); Edinéia Maria Pallú, Coordenadora do Eixo de Desenvolvimento Econômico do Geoparque Cânions do Sul; Valquíria Aparecida Borges Biava, do Geoparque Cânions do Sul; Patrícia de Freitas Ferreira, Chefe da Subdivisão de Geoparques da Universidade Federal de Santa Maria Caçapava Geoparque (RS); e Matione Sonego, Presidente do Condesus Quarta Colônia Geoparque Quarta Colônia (RS).

 

Sobre o Geoparque Seridó:

O Seridó Geoparque Mundial recebeu o reconhecimento pela Unesco em abril de 2022, passando a integrar oficialmente o Programa Internacional de Geociências e Geoparques. O território abrange uma área de 2,8 mil quilômetros quadrados, ocupando territórios em seis municípios do Seridó: Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas. Este reconhecimento ressalta a importância do Geoparque Seridó como um modelo de desenvolvimento sustentável, integrando a conservação do patrimônio geológico com a promoção do turismo e o desenvolvimento econômico local.

Geoparques Mundiais da Unesco no Brasil

A UNESCO designou os geoparques Seridó e Caminhos dos Cânions do Sul como Geoparques Mundiais da UNESCO em 2022. O geoparque Araripe foi o primeiro a ser designado pela UNESCO em 2006. Em 2023, os geoparques de Caçapava e Quarta Colônia também foram designados pela UNESCO como Geoparques Mundiais, e Uberaba foi designado em 2024.

Os Geoparques Mundiais da UNESCO (UNESCO Global Geoparks - GGN) são áreas geográficas únicas e unificadas, onde sítios e paisagens de relevância geológica internacional são administrados com base em um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. Sua abordagem ascendente que combina a conservação com desenvolvimento sustentável e que, ao mesmo tempo, envolve as comunidades locais, está se tornando cada vez mais popular.

Geoparques Mundiais da UNESCO em Portugal

A Rede Portuguesa de Geoparques iniciou-se em 2006 com adesão de Geoparque Naturtejo à GGN. O segundo Geoparque português a integrar esta rede foi o Geoparque Arouca em 2009, seguindo-se o Geoparque Açores, em 2013, o Geoparque Terras de Cavaleiros, em 2014 e em 2020 foi classificado o quinto geoparque português, com a integração do Geoparque Estrela nas Redes Europeia e Global de Geoparques. Em 2024 o Geoparque Oeste se une aos cinco geoparques em Portugal.